Na mineração, o que não se vê pode custar caro: como o carvão ativado remove metais críticos

O setor de mineração carrega consigo desafios técnicos complexos que vão muito além da extração e beneficiamento de minérios. Um dos mais sensíveis, e ao mesmo tempo invisíveis aos olhos, está relacionado ao tratamento da água envolvida em todo o processo. A presença de metais críticos nos efluentes e nas águas de processo representa não apenas um risco ambiental, mas um potencial prejuízo operacional e regulatório. É nesse ponto que o carvão ativado se torna uma solução estratégica.

Durante as etapas de beneficiamento, flotação e lixiviação, diversos reagentes químicos são utilizados para separar os minerais desejados da matriz rochosa. Esse processo, inevitavelmente, gera resíduos líquidos com alto potencial de contaminação. Metais como arsênio, cádmio, chumbo, mercúrio, níquel, cobre e zinco podem estar presentes em concentrações variadas, representando riscos tanto para o meio ambiente quanto para a integridade das instalações industriais.

Esses contaminantes metálicos não são apenas difíceis de remover, como também frequentemente estão associados a compostos orgânicos que dificultam sua neutralização por métodos convencionais. Floculação e decantação, por exemplo, não são suficientes para garantir a remoção total dessas substâncias, especialmente quando elas se encontram dissolvidas em fase coloidal ou em formas complexadas. Nesses casos, o uso do carvão ativado oferece uma resposta eficaz.

O carvão ativado atua por adsorção, capturando moléculas em sua superfície porosa com alta seletividade. Embora seja mais conhecido por remover compostos orgânicos, ele também é altamente eficiente na remoção de certos metais críticos quando utilizados carvões impregnados com substâncias específicas ou com características de superfície otimizadas. A combinação entre adsorção física e reações químicas superficiais permite a retenção de íons metálicos e sua posterior imobilização.

Na prática, o carvão ativado pode ser aplicado em sistemas de tratamento de água de mina, drenagem ácida, efluentes de beneficiamento ou mesmo na etapa de polimento final de reuso. Ele pode ser usado em leitos filtrantes, colunas fixas ou mesmo em dosagem direta em tanques de mistura seguidos de filtração. Sua versatilidade permite adaptar o processo conforme o volume e a concentração de contaminantes presentes na operação.

Além da remoção de metais, o carvão ativado também contribui para a diminuição de outros parâmetros como turbidez, DQO e toxicidade geral do efluente. Isso facilita o cumprimento das normas ambientais vigentes, evita penalidades por lançamento inadequado e viabiliza projetos de reúso interno da água tratada, que é um ponto cada vez mais estratégico nas unidades de mineração, especialmente em regiões com restrição hídrica.

A eficiência da remoção depende de diversos fatores, como o tipo de carvão utilizado, o tempo de contato, o pH da solução e a carga iônica da matriz aquosa. Para metais mais pesados e tóxicos, é comum o uso de carvões ativados impregnados com compostos básicos ou metálicos, que reagem com os íons presentes e favorecem sua fixação na estrutura do carvão. Já para situações em que há predominância de compostos orgânicos associados a metais, a escolha recai sobre carvões com porosidade mais desenvolvida e área superficial elevada.

Outro ponto importante é a proteção dos equipamentos. Metais como o ferro, o manganês e o cobre, quando presentes em concentrações elevadas, podem causar incrustações, corrosão acelerada e falhas mecânicas em válvulas, bombas e tubulações. Ao remover esses elementos antes que avancem pelo sistema, o carvão ativado reduz os custos de manutenção e prolonga a vida útil dos componentes da planta.

O uso do carvão ativado na mineração também se mostra vantajoso em processos que envolvem recuperação de metais de alto valor. Em alguns casos, a adsorção seletiva permite a separação de metais raros ou nobres presentes em traços, o que abre a possibilidade de recuperação posterior a partir do material saturado. Esse é um ganho duplo: purificação da água e potencial reaproveitamento de recursos metálicos.

A legislação ambiental tem avançado rapidamente e, com ela, os limites para lançamento de metais pesados nos corpos hídricos tornaram-se mais rígidos. Isso exige que as mineradoras invistam em soluções técnicas robustas, eficientes e confiáveis. O carvão ativado atende a esses critérios e ainda oferece facilidade de aplicação, baixa complexidade operacional e bons resultados mesmo em processos contínuos de grande porte.

Num setor onde os impactos ambientais são constantemente monitorados e as exigências de desempenho crescem, adotar uma tecnologia capaz de atuar de forma precisa no que não se vê é uma escolha que reflete responsabilidade, inteligência operacional e visão de longo prazo. E quando o objetivo é remover metais críticos, proteger os sistemas e manter a operação em conformidade, o carvão ativado é uma ferramenta que fala por si.

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